Namoro a distância é possível, mas é preciso o encontro para manter a relação

Raquel Baldo

Escrito por
Raquel Baldo

Psicologia – CRP 79518/SP

Por Especialistas – Em 20/3/2015

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Quando falamos ou ouvimos sobre relacionamentos a distância respeito, naturalmente nos deparamos com nossas ideias e padrões culturais do que entendemos e acreditamos sobre relacionamentos. E falar de relacionamento, com certeza, nos traz à mente a presença do outro, o contato direto, o olhar, o toque, o abraço, o beijo. Então, quando abordamos essas duas palavras, relacionamento e distância, dentro de muitas culturas, assim como a nossa, elas parecem não combinar.

A questão é que atualmente o conceito de relacionamento humano, esta passando por diversas mudanças e adequações junto ao processo de avanço tecnológico global. As relações (namorados, amigos, pais e filhos), ganharam apoio de chats, rede sociais e celulares. Esses recursos podem ser muito benéficos e auxiliam, sim, na proximidade do dia a dia, driblando as rotinas e correrias, transito e distâncias (principalmente para quem vive em grandes cidades), e também ajudam muito quando estamos em outra cidade ou país. Sem dúvida, a tecnologia, linguagem atual do mundo, sendo bem usada é um forte aliado e recurso saudável para mantermos e fortificarmos nossas relações quando distantes fisicamente.

O que define e mantém uma boa relação, ou uma boa afetividade, não necessariamente está ligado à presença física constante, mas sim ao manejo que oferecemos a esta relação. A forma como expressamos nossos cuidados e deixamos nossa marca é de grande importância e para isso a presença física não precisa ser intensa. Para entender esta ideia, basta observarmos uma relação entre pais e filhos – o que define uma boa relação familiar não é a presença física, somente. Afinal, quantos pais falham sendo ausentes ou egoístas, mesmo estando juntos fisicamente de seus filhos?! O mesmo deve ser considerado para com casais, pois estar sempre juntos fisicamente não garante bem-estar e felicidade, às vezes provoca até mesmo o inverso, um sufocamento da relação. Assim a distância de certa forma pode ser até uma boa aliada, visto que a saudade pode ajudar a vivenciar e valorizar o momento que estiverem juntos.

Distância desde o começo

Mas, se repararmos bem nestas situações citadas, acima, todas elas sugerem uma ideia de que já houve ou há uma relação física entre os envolvidos e que a distância é só mais um capítulo desta relação, onde os meios de comunicação atuais ajudam e aliviam nossa saudade e como um recurso temporário pode fazer muito bem para muitas relações.

Porém, quando falamos de uma relação afetiva ainda a ser construída, como, procurar um namoro ou amizade novos. Vale sim questionarmos: porque iniciar e buscar uma relação, já distante desde o inicio?

Com certeza, todos já ouvimos falar, ou conhecemos, ou somos alguém que optou por procurar sua relação afetiva por uma via distante, como pelo uso de internet. Iniciar uma relação a distancia não é sinônimo de erro, mas também não é de acerto e como toda e qualquer relação, envolve diversos caracteres que devem ser observados. A questão a ser considerada em toda relação, sendo ela presente ou distante, é por que fizemos esta escolha?

Se a resposta lhe traz alegrias, momentos construtivos, possibilidades de futuro e paz consigo mesmo e com o outro, tudo indica que pode ser uma boa relação. Mas se a resposta lhe trouxer receios, dúvidas, fugas, excesso de justificativas, inseguranças, ciúmes, necessidade de controle e privações do meio, pode ser que esta relação não seja uma opção saudável.

Se a distancia for temporária, assim como citado no inicio do texto e depois se permitirem a construir um vínculo real, porque não? Mas viver uma relação distante sem limite de tempo para esta distancia, não tende a ser saudável ou real.

O físico também é importante

A presença física é sem dúvida necessária e fundamental para uma boa relação afetiva. Através do toque, do olhar e da presença aprendemos a decifrar o outro e a nós mesmos. Começar uma relação, ou mesmo manter por longo tempo, sem essa base de presença física é, com certeza, abrir uma porta complexa e muito delicada, às vezes perigosa, pois a probabilidade de nos relacionarmos com nossas próprias ideias e fantasias e não com um outro existente, é muito grande. E a tendência é o termino desta relação ou parceria, visto que um ou outro (ou ambos) aprenderão a seguir suas vidas sem precisarem estar juntos.

Uma relação é sempre (no mínimo) a dois, um e o outro. Para haver uma boa relação é fundamental enxergar e perceber o outro e para isso o mínimo de contato físico é necessário. Palavras escritas, imagens, fotos ou mesmo videoconferências, acabam sendo privativos de certas expressões corporais e sensações necessárias que só vivenciamos pessoalmente.

Aprendemos desde nosso nascer (ou talvez de quando gerados) que o outro é fundamental para nosso existir e desenvolver, na relação com nossa mãe. Pois precisamos ser alimentados, aquecidos, decifrados e acolhidos para podermos sobreviver e um dia seguir adiante por conta própria. Os recursos atuais que nos mantém conectados uns aos outros são ótimos aliados nas relações diversas e facilitam a manutenção dos contatos se usados com limite. Mas não substituem de forma alguma a presença concreta do outro em nossa vida. Pensem em um bebe ou um criança, longe da mãe (nosso primeiro amor) que está viajando. Por mais que a família utilize os recursos mais modernos para se manterem ligados, nada substitui aquele momento de toque das mãos verdadeiras, do olhar direto, do colo, nem mesmo de uma bronca construtiva. Então podemos nos perguntar, porque seria diferente com um adulto e seus amores?

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