Gordura nas fezes gera odor forte e aparência espumosa

João Ricardo Duda

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João Ricardo Duda

Coloproctologia – CRM 22961/PR

Por Especialistas – Em 17/3/2015

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A presença de gordura nas fezes pode ser visível ou detectada por exames laboratoriais. Caso visível, as fezes tendem a ser espumosas, com odor fétido forte e tendem a sempre flutuar na água. O nome técnico é esteatorreia, que significa excessiva excreção de gordura nas fezes.

Ingestão excessiva de álcool por períodos prolongados, perda de peso e dor abdominal são bastante sugestivos

Tanto alterações digestivas e absortivas podem causar esteatorreia. As desordens digestivas se devem a alterações na produção e liberação da enzima lipase pelo pâncreas ou de bile pelo fígado/vesícula biliar, enzimas responsáveis pela digestão de gorduras. Já as absortivas são causadas por distúrbios absortivos e enzimáticos do intestino delgado. As doenças mais comuns são:

  • Pancreatite crônica
  • Doença celíaca
  • Síndrome do intestino curto
  • Câncer das vias biliares
  • Estenose das vias biliares
  • Doença de Crohn
  • Fibrose cística do pâncreas
  • Câncer do pâncreas
  • Doença de Whipple.

Sintomas comuns são fezes com odor muito fétido, volumosas, pálidas, frouxas e oleosas, as quais tendem a flutuar. Sangramento digestivo, anemia, dor e perda de peso/desnutrição devem ser sinais de alerta. Sempre que os sintomas de esteatorreia estiverem presentes deve-se buscar ajuda médica, pois normalmente esse sintoma está correlacionado a doenças graves.

As principais doenças são as relacionadas ao pâncreas e ao intestino delgado. A história e o exame clínicos são muito importantes. Ingestão excessiva de álcool por períodos prolongados, perda de peso e dor abdominal são bastante sugestivos. No pâncreas, deve-se pensar sempre em pancreatite crônica. Neste caso, anormalidades estruturais no órgão podem ser detectadas pelo Raio-X, ultrassom, tomografia computadorizada e pela colangioprancreatografia endoscópica. A detecção da gordura nas fezes dá-se pelo exame de fezes chamado SUDAM III, e a dosagem da elastase pancreática nas fezes nos faz suspeitar de insuficiência exócrina no pâncreas. A dosagem das enzimas pancreáticas após tubagem duodenal e estímulo com secretina é muito efetiva para insuficiência pancreática, mas é muito dispendioso e complexo de ser realizado.

Quando há suspeita de má absorção por acometimento do intestino delgado, os testes de Schilling e D-xylose podem ser utilizados para confirmação da suspeita clínica, e as anormalidades estruturais estudadas por Raio-X contrastado, Endoscopia Digestiva Alta e Baixa e biópsias.

Para coletar as fezes, sugere-se colocar um plástico no vaso sanitário fixo pelo assento, de maneira que as fezes não caiam na água, e colocando-as num recipiente adequado. Colete as fezes evacuadas durante 24 horas. Ingira 100 gramas de gordura por dia durante os 3 dias que antecedem a coleta.

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O tratamento da esteatorreia é feito de acordo com a causa. É preciso de forma genérica limitar a ingesta de gorduras e receber suporte nutricional. Para insuficiência do pâncreas há como repor enzimas pancreáticas durante as refeições, com aproximadamente 30.000 unidades de lipase a cada refeição. Cada doença tem um manejo específico.

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