Dor crônica: o que fazer quando o sintoma se torna uma doença?

Adriano Scaff Garcia

Escrito por
Adriano Scaff Garcia

Neurocirurgia – CRM 93656/SP

Por Especialistas – Em 18/10/2016

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A dor é uma resposta de defesa do organismo, mas ela também pode funcionar de maneira errada ou exagerada caracterizando uma doença: a dor crônica. Quando o cérebro interpreta que a dor não está sendo “resolvida” ele fica ainda mais “sensível” aos estímulos da dor, captando-os de forma mais intensa. O recrutamento de um outro sistema nervoso chamado autonômico, faz com que a dor fique ainda mais “enraizada” e de difícil resolução. O sistema de dor também pode ficar doente, gerando as dores crônicas.

Geralmente as mulheres são mais suscetíveis às dores crônicas devido a sua genética e hormônios. Por exemplo, o uso de salto alto, a menopausa e a falta dos hormônios protetores dos ossos, assim como durante a gravidez – em que a coluna experimenta alterações no seu eixo – são fatores da mulher que propiciam a dor.

Principais dores crônicas

A principal dor crônica é a dor de cabeça, seguida da dor na coluna. Por exemplo, 75% das pessoas irão experimentar ao menos uma vez na vida um “travamento” na coluna lombar, enquanto cerca de 38% irão desenvolver algum tipo de dor na coluna durante a vida. Estas duas dores correspondem a maioria das dores, seguidas das dores nas articulações.

Ainda não se provou porque estas regiões são mais afetadas, mas acredita-se que na dor de cabeça os fatores hormonais são os principais fatores relacionados, enquanto na coluna os fatores genéticos e posturais seriam os mais importantes.

Tratamento da dor crônica

É importante tratar a dor crônica, pois ela pode gerar uma queda na qualidade de vida, desânimo – a pessoa não quer sair por causa da dor, nem tem ânimo para fazer as suas atividades – depressão, irritabilidade (gerando até um problema de convivência com a família e amigos), baixa produtividade no trabalho, dentre outros fatores.

Os principais tratamentos para qualquer tipo de dor baseiam-se em:

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1. Exercícios físicos orientados: o movimento é um dos melhores remédios para as dores, benefício comprovado cientificamente. A liberação de endorfinas e a movimentação articular e óssea geram no cérebro um efeito analgésico.

2. Fortalecimento muscular: o fortalecimento dos músculos irá proteger as estruturas ósseas, como a coluna e os joelhos, por exemplo, diminuindo e evitando as dores. Mas este fortalecimento tem que ser orientado por um profissional da área, principalmente para quem já apresenta dor.

3. Fisioterapia analgésica: é utilizada nas dores agudas por um profissional da área. São utilizadas técnicas como o ultrassom, o laser, o alongamento e a estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS).

4. Medicamentos: são utilizados remédios em alguns casos de dor, sendo que cada doença apresenta tipos de tratamentos com drogas específicas a serem avaliadas pelo médico. A automedicação bem como o uso prolongado podem deixar a dor crônica, não sendo uma prática aconselhável.

5. Bloqueio da dor: o procedimento é feito através de uma agulha guiada e anestesia local, colocando o medicamento na região afetada pela dor. Utilizamos, por exemplo, na coluna ou no nervo ciático nos casos de hérnia de disco, tentando “desinflamar” a região.

6. Radiofrequência: uma agulha é introduzida na região chegando aos nervos acometidos, que serão tratados pelo método de radiofrequência, que nada mais é do que um tipo de energia que faz com que o nervo interrompa a mensagem de dor enviada ao cérebro.

7. Cirurgia: em casos específicos, são feitas intervenções cirúrgicas com técnicas convencionais ou minimamente invasivas. Esses casos normalmente englobam alguns tipos de dor, como a hérnia de disco que não foi resolvida com os passos clínicos, bloqueios e radiofrequência.

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