Câncer de ovário: cirurgia preventiva é invasiva e traz riscos à paciente

Fabio Laginha

Escrito por
Fabio Laginha

Ginecologia e Obstetrícia – CRM 42141/SP

Por Especialistas – Em 25/3/2015

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Angelina Jolie fez uma cirurgia em março para retirar ovários e trompas de falópio depois que os médicos detectaram sinais precoces de câncer. O câncer de ovário é responsável por volta de 6% dos cânceres das mulheres, mas possui alto índice de mortalidade. Isso se deve por ser descoberto, na maioria das vezes, em fases avançadas (75% dos casos) e por estar dentro da cavidade abdominal, com capacidade de invadir órgãos próximos.

Existem vários tipos de cânceres de ovários, com diferentes
expressões clínicas e agressividade. Quando o tumor cresce, pode se
espalhar pelo peritônio, tecido que reveste a cavidade abdominal,
levando a um extravasamento de líquido chamado de ascite, que pode
acontecer em diversos graus. Os principais sintomas da doença são: dor
pélvica e nas costas, aumento do volume abdominal pela ascite e/ou tumor
e desconforto urinário e intestinal. Não existe até o momento nenhum
exame para detectar o tumor precocemente.

Todas as condições que
mantenham os ovários em repouso diminuem os riscos da doença, como
gestações, pílulas e outros medicamentos que levam a mulher a ficar no
estado de anovulação. Obesidade, fatores dietéticos com aumento do peso,
principalmente na adolescência, aumentam o risco. A reposição hormonal
na menopausa não apresenta estudos conclusivos desta relação.

O método mais eficaz atualmente para evitar o câncer de ovários, ainda que não totalmente, são as cirurgias profiláticas

Por
volta de 80% dos casos de cânceres são esporádicos e por volta de 20%
têm ligação familiar, isto é, podemos encontrar uma frequência maior em
determinadas famílias, mas não conseguimos “ligar” os parentes com
câncer. Os casos genéticos ocorrem de 5% a 10% dos casos e, nestes,
podemos observar na árvore genealógica familiares acometidos em diversas
gerações, principalmente jovens (antes dos 50 anos), homens com câncer
de mama, cânceres de mama bilaterais ou concomitantes. Os principais
genes que estão envolvidos no crescimento, divisão e reparação dos genes
alterados das células são o BRCA 1 e 2. As pacientes que apresentam
estas alterações podem ter chance de até 40% para câncer de ovário e 65%
de câncer de mama durante a vida, além de outros tipos.

Portanto, a alteração destes genes leva a maior frequência de câncer de ovário e mama nestas famílias.

Conhecendo o risco

Quando
se suspeita destas mutações, a paciente e familiares devem ser
orientados e deve ser oferecido testes para a avaliação genética.
Podemos usar algumas medidas para diminuir os riscos com impacto final
muito pequeno, como não ganhar peso, diminuir consumo de álcool e fazer exercícios. O método mais eficaz atualmente para evitar o câncer de
ovários, ainda que não totalmente, são as cirurgias profiláticas. São
cirurgias mutiladoras, que devem ser feitas o mais precocemente possível
– antes dos 50 anos, principalmente quando a prole já estiver formada.
Caso a mulher ainda queira ter filhos, pode-se guardar óvulos ou
embriões congelados (criopreservação). Estas cirurgias devem ser
avaliadas por uma equipe multidisciplinar e com tempo de conscientização
para evitar decisões precipitadas.

Para a prevenção do câncer
de ovário, a retirada das trompas já diminui o risco, mas para maior
eficácia a cirurgia completa é a retirada dos ovários, trompas e útero.
Devemos avaliar os efeitos da falta de hormônios, que podem levar a
osteoporose, ondas de calor, amento dos riscos cardíacos, falta de
libido, secura vaginal e outros sintomas com perda da qualidade de vida.
E é importante que a paciente seja informada sobre isso, mas há medidas
para tentarmos contornar estes problemas.

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A avaliação
multiprofissional é fundamental para a melhor tomada de decisão em
relação ao tratamento cirúrgico profilático e suas consequências para a
saúde da mulher.

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